Malakit : um projeto de pesquisa operacional

O projeto Malakit visa avaliar uma estratégia inovadora de controle da malária  em um contexto particular, o de pessoas que trabalham em garimpos ilegais na Guiana Francesa (Douine e al, 2018).

A Guiana Francesa, um departamento ultramarino francês na América do Sul

 

A malaria é endêmica no planalto das Guianas, onde circulam predominantemente o Plasmodium falciparum e o P. vivax (Musset e al 2014). Graças aos esforços dos países da região, o número de casos de malária diminuiu significativamente na população local. Essa redução está ligada em particular, a um melhor acesso ao diagnóstico e ao tratamento, graças a uma rede de agentes comunitários de saúde no Suriname, e ao desenvolvimento dos centros de saúde na Guiana Francesa e no Brasil

Contudo, uma população permanece afastada do sistema de saúde : as pessoas que trabalham em garimpos ilegais na floresta amazônica na Guiana Francesa, também conhecidos como garimpeiros. Esses migrantes oriundos do Brasil vivem em garimpos afastados, as vezes, a três ou quatro dias de caminhada ou de canoa. O medo das autoridades também dificulta o acesso aos centros de saúde.


Estudos anteriores

Estudos feitos em 2014 e 2015 mostraram que a prevalência da malária (baseado na PCR) nessa população era muito alta chegando até a 48 % em alguns garimpos (Douine e al, 2016, Pommier de Santi e al, 2016). A maioria dos portadores de Plasmodiumeram assintomáticos (84%), o que revela uma imunidade parcial adquirida na sequência de contatos repetidos com o parasita.

A utilização frequente de medicamentos antimaláricos inadequados – geralmente comprados no mercado negro – contendo derivados de artemisinina e utilizados com uma má observância, causam temor a emergência do P. Falciparum resistente à artemisinina (Douine e al 2017, Nacher 2013, Pommier de Santi 2016). Além do mais, a grande mobilidade desses 10 a 15 000 garimpeiros nos territórios do Brasil, da Guiana Francesa e do Suriname, favoriza a propagação da malária na região (ref. Suriname e Brasil sobre a malária importada).

Que estratégia adotar?

Embora a região do planalto das Guianas tenha o objetivo de eliminar a malária, levar em conta essa população negligenciada é essencial, mas difícil :

O regulamento europeu aplicado na Guiana Francesa restringe a prestação de um tratamento aos profissionais de saúde, mas a falta de médicos nesse departamento dificulta o envio de equipes médicas diretamente aos garimpos.

Além do mais, o número elevado de garimpos (cerca de 700), a distância geográfica, o contexto de segurança e as operações policiais concomitantes da luta contra o garimpo ilegal impedem o acesso direto a essa população.

Após numerosos debates entre as instituições sanitárias e os pesquisadores da Guiana Francesa, do Brasil e do Suriname, a estratégia Malakit foi sugerida como estudo piloto promovido pelo Centro de Investigação Clínica Antilhas-Guiana Francesa (Inserm CIC1424).

Esta estratégia baseia-se na distribuição de kits de autodiagnóstico e autotratamento da malária.

 

Objectivo: melhorar comportamentos em caso de sintomas de malária

O objetivo principal desse projeto é melhorar comportamentos em caso de sintomas de malária.

Um tratamento antimalárico deve ser feito somente após um diagnóstico positivo, ser composto de uma associação apropriada com derivados da artemisinina, e ser feito por completo.


Cronograma do estudo piloto Malakit

A implementação do estudo começou no campo em abril de 2018 com a primeira distribuição do kit nas fronteiras do Suriname. A distribuição no Brasil começou em outubro de 2018.

avaliação da estratégia é baseada em um estudo transversal antes/depois (estudo Orpal) e uma coleta prospectiva de dados.