A utilização do teste de diagnóstico rápido (TDR) como autoteste por não profissionais de saúde representa uma estratégia promissora para melhorar o acesso ao diagnóstico da malária em áreas remotas, desde que os utilizadores sejam capazes de realizá-lo corretamente e de interpretar com precisão os seus resultados.
Esse artigo apresenta um estudo transversal realizado em Oiapoque (Brasil) no âmbito do projeto CUREMA, que avalia a praticabilidade do TDR Bioline Malaria Ag P.f/Pan/P.v entre trabalhadores do garimpo após uma sessão de formação ministrada por agentes comunitários de saúde no contexto da intervenção Malakit.
Nas áreas de garimpo da Guiana Francesa, o acesso a serviços de saúde é muitas vezes impossível — mas a malária continua presente. O projeto Malakit/CUREMA avaliou se os garimpeiros são capazes de realizar e interpretar, por conta própria, um teste rápido de diagnóstico (TDR) de malária.
Entre maio e julho de 2024, 40 garimpeiros participaram do estudo em Oiapoque, no Brasil.
Como funcionou?
O treinamento dura apenas 15 a 20 minutos, realizado por mediadores comunitários — membros da própria comunidade — com dois ferramentas principais:
Flashcards ilustrados com perguntas sobre as boas práticas do TDR: como se preparar, como realizar o teste, e como interpretar o resultado.
Bandeletes pré-preparadas permitem que os participantes treinem a leitura e interpretação de diferentes tipos de resultados: positivo, negativo ou inválido.
E os resultados?
- Conhecimentos sobre as boas práticas : 83,9% de respostas corretas
- Realização do teste : 84,6%
- Interpretação dos resultados : 77,2%
- Pontuação global de praticabilidade : 81,9%
Todos os participantes conseguiram obter um resultado válido.
A principal dificuldade? A autopicada no dedo. O principal apoio? Os mediadores e os vídeos.
Esses resultados mostram que, com um treinamento adaptado, mesmo populações com baixo nível de escolaridade são capazes de realizar autotestes de forma confiável e autônoma — um avanço concreto para comunidades que muitas vezes ficam à margem dos sistemas de saúde.


